A taxa é uma medida da gravidade da doença. No Brasil, número de mortes por casos positivos da infecção por coronavírus é de 2,8%

Em relatório finalizado recentemente, a Gerência de Epidemiologia detalhou o cenário da Covid-19 até o dia 23 de novembro entre residentes em Patos de Minas. O quadro é de 5,35 mortes a cada cem mil habitantes (mortalidade) e de 2,73 óbitos por cem casos confirmados da doença (letalidade). O levantamento também informa que a taxa de incidência da infecção por cem mil habitantes é de 196,18. Os números constatam que a letalidade local aproxima-se da taxa nacional (2,8%) e fica acima dos 2,5% em Minas Gerais. 

Segundo a gerente de Serviços Epidemiológicos, Elizaine Bicalho, esse cenário é semelhante ao de outras cidades similares na região, mas Patos de Minas apresenta peculiaridade que chama atenção. “Nosso município está com quantidade maior de mortes entre a população mais jovem. São seis óbitos na faixa de 20 a 39 anos e dois na faixa de 40 a 49 anos. Também constatamos que moradores com idade entre 18 e 39 anos são maioria dos casos positivos da infecção nos últimos dias”, disse ela. Conforme o relatório, julho e setembro tiveram o maior número de mortes, respectivamente 25 e 21. 

Contaminação entre familiares – Dos 239 casos de Covid-19 confirmados por teste laboratorial no período de 1º a 23 de novembro, 142 (59,41%) são de pessoas abaixo de 40 anos. Desse universo de 142, 138 estão na faixa etária de 18 a 39 anos, ou seja, 97,18%. “É a população mais ativa, mais produtiva no mercado. Essas pessoas estão se prevenindo muito pouco, e essa postura causa um problema que nos preocupa muito e tem ocorrido com frequência, a contaminação em núcleos familiares. Quem está saindo para trabalhar ou se divertir acaba, muitas vezes, levando o vírus para dentro de casa por falta de cuidado”, analisa Elizane Bicalho.

Nos últimos 40 dias, dois irmãos, enfermeiros, morreram em razão de complicações da Covid-19. Pelo menos outros quatro familiares deles contraíram a doença. Um está internado em UTI, e a avó, de 92 anos, faleceu na quinta-feira (26). “A Epidemiologia monitora os casos, mas cada morador é o responsável maior dentro da residência. Obviamente que nem todos que contraem o coronavírus podem se isolar longe dos familiares, mas quem pode deve fazer. E quem continua o convívio precisa, por exemplo, evitar o compartilhamento de itens pessoais. É um apelo que fazemos a todos”, orienta a gerente de Serviços Epidemiológicos. 

Na avaliação de Elizaine Bicalho, embora os dados epidemiológicos dos últimos dias não sejam tão alarmantes como de meses anteriores, o cenário atual é mais complicado, uma vez que a comunidade de maneira geral está menos consciente quanto à pandemia e seus efeitos. “O momento nos preocupa muito, sim. As pessoas estão relaxadas na prevenção, esquecendo que o vírus é muito suscetível. O risco de perdermos o controle é maior quando se perde o medo do perigo.”