RECOMENDAÇÕES E ALERTAS SOBRE PROCEDIMENTOS DE DESINFECÇÃO EM LOCAIS PÚBLICOS REALIZADOS DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

De acordo com a Nota Técnica Nº 34/2020/SEI/COSAN/ GHCOS/DIRE3/ANVISA os procedimentos de desinfecção de locais públicos no Brasil não são padronizados, sendo que muitas prefeituras estão utilizando a prática de desinfecção de ruas como medida de combate ao avanço da pandemia da COVID-19. A maioria das prefeituras não seguem orientações em relação aos produtos, equipamentos de proteção, uso de pessoal capacitado etc., o que pode gerar riscos à saúde dos trabalhadores e da população. Não se utiliza o critério de focar as ações em pontos de maior circulação de pessoas e sim de executá-las indiscriminadamente.

Também, o mal uso ou o uso indiscriminado dos produtos desinfetantes pode elevar o risco de resistência dos microorganismos, o que posteriormente tornará seu combate mais difícil.

A seguir, recomendações pretendem orientar as ações de desinfecção em ambientes externos, com a finalidade de prevenir os riscos que podem advir destas medidas.

Forma de transmissão da COVID-19 e as formas gerais de prevenção

De acordo com a Nota Técnica citada acima “o conhecimento atual de como o vírus causador da doença por coronavírus de 2019 (COVID-19) se transmite, se baseia amplamente no que se sabe sobre outros coronavírus semelhantes. 

Propagação de pessoa para pessoa:

  • Acredita-se que o vírus se espalhe principalmente de pessoa para pessoa.
  • Entre as pessoas que mantêm contato íntimo (a cerca de um metro e meio de distância).
  • Através de goticulas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra.

Essas goticulas podem atingir a boca ou o nariz das pessoas próximas ou possivelmente entrar nos pulmões ao respirar.

* Propagação por contato com superfícies ou objetos contaminados:

Pode ser possível que uma pessoa se contamine ao tocar uma superficie ou objeto que tenha o vírus e depois seja levado pelas mãos à sua boca, nariz ou possivelmente seus olhos, embora não se acredite que essa seja a principal maneira de propagação do vírus.

Em razão disso, uma das estratégias adotadas mundialmente envolve medidas de como evitar o contato direto com pessoas e superfícies, bem como medidas de higiene pessoal: lavagem frequente das mãos com água e sabonete/sabão e antissepsia com preparações alcoólicas ou outras substâncias.

As evidências atuais sugerem que o novo coronavírus pode permanecer viável por horas e até dias em determinadas superficies, dependendo do tipo de material. Portanto, a limpeza de objetos e superficies, seguida de desinfecção, são medidas recomendadas para a prevenção da COVID-19 e de outras doenças respiratórias virais em ambientes comunitários.

Limpeza – refere-se à remoção de microrganismos, sujeiras e impurezas das superficies. A limpeza não mata os microrganismos, mas, ao removê-los, diminui o número e o risco de propagação da infecção.

Desinfecção – refere-se ao uso de produtos químicos para matar microrganismos em superficies. Esse processo não limpa necessariamente superfícies sujas ou remove microrganismos, mas ao matar microrganismos em uma superfície após a limpeza, ele pode reduzir ainda mais o risco de propagação de infeções.

Embora já em prática em muitas cidades do mundo e no Brasil, até o momento, a desinfecção de ambientes externos como as ruas de cidades inteiras, não tem sido recomendada oficialmente pelos organismos de saúde internacionais.

Por essa razão, caso se decida por sua realização, as ações de desinfecção em ambientes externos deverão ser concentradas, preferencialmente, em pontos da cidade com maior circulação
de pessoas.

Recomendações sobre os produtos químicos utilizados para desinfecção Somente devem ser utilizados produtos regularizados na Anvisa ou no Ibama, observado o seu prazo de validade.

Devem ser seguidas as instruções do fabricante para todos os produtos de desinfecção (por exemplo, concentração, método de aplicação e tempo de contato, diluição recomendada etc.), constantes no rótulo (ou bula) do produto.

Nunca misturar os produtos, utilize somente um produto para o procedimento de desinfecção.

Os produtos desinfetantes aprovados pela Anvisa para o combate de microrganismos semelhantes ao novo coronavírus, foram disponibilizados no sítio eletrônico da Agência no SITE.

Especificamente para desinfecção de ambientes externos, muito se tem noticiado sobre o uso do álcool 70%, contudo também podemos utilizar outros produtos à base de:

1. Hipoclorito de sódio ou cálcio, na concentração de 0.5%11,
2. Alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio) 11
3. Peróxido de hidrogênio 0.5% 4
4. Ácido peracético 0,5%4
5. Quaternários de amônio, por exemplo, o Cloreto de Benzalcônio 0.05%4
6. Desinfetantes com ação virucida

Riscos específicos decorrentes da utilização dos produtos desinfetantes

O hipoclorito de sódio ou cálcio na concentração de 0.5% é um produto corrosivo, à semelhança da água sanitária cuja concentração de hipoclorito é maior (2,0% e 2,5%), podendo causar lesões severas dérmicas e oculares. Portanto, devem ser tomadas as precauções necessárias para a proteção dos trabalhadores envolvidos nos procedimentos de desinfecção, bem como para à população em geral, com a emissão de alertas de como devem se proteger durante os procedimentos de desinfecção externa, em especial se afastando do local, enquanto durar o procedimento. A aplicação de hipoclorito de sódio sobre superficies metálicas pode levar à
oxidação, de forma que, podem ser usados outros produtos como aqueles a base de quaternários de amônio e os desinfetantes para uso geral com ação virucida para os lugares nos quais há predominância de metal. 

É instável após diluição e pode ser desativado pela luz, sendo recomendada sua utilização imediata após a diluição. Não deve ser misturado com outros produtos, pois reage violentamente com muitas substâncias químicas. 

O peróxido de hidrogênio possui ação rápida e é pouco tóxico. A inalação aguda pode causar irritação no nariz, garganta e trato respiratório. Em altas concentrações do produto, pode ocorrer bronquite ou edema pulmonar. Não é afetado por fatores ambientais ou na presença de material orgânico. É seguro para o meio ambiente. É contra-indicado para uso em cobre, latão, zinco, alumínio. Maior custo.

O ácido peracético é efetivo na presença de matéria orgânica. É instável principalmente quando diluído e corrosivo para metais (cobre, latão, bronze, ferro galvanizado). Sua atividade é reduzida pela modificação do pH. Causa irritação dos olhos e do trato respiratório.

Os quaternários de amônio são amplamente empregados nas indústrias de cosméticos, farmacêutica e domissanitária, tanto em produtos domésticos com propriedades desinfetantes e cosméticas, quanto em medicamentos. Pode causar irritação de pele e das vias respiratórias e sensibilização dérmica, mas não é corrosivo. Os trabalhadores que se expõem constantemente aos produtos devem ser apropriadamente protegidos. Tem a vantagem de não corroer os metais. Em geral, tem menos ação contra micobactérias, vírus envelopados e esporos. É inativado na presença de matéria orgânica, por sabões e tensoativos aniônicos. De baixo custo.

Para os outros produtos é necessário observar as informações constantes do rótulo, bula e/ou Ficha de Segurança (FISPQ). 

Equipamentos de aplicação a serem utilizados para desinfecção de ambientes externos

Os equipamentos apropriados para aplicação dos produtos desinfetantes, conforme suas características, constam dos rótulos dos produtos devidamente aprovados pela Anvisa ou Ibama. Tais orientações também podem constar na bula ou Ficha de Segurança (FISPQ).

Devem ser consultadas as recomendações emanadas pelos órgãos de saúde e ambientais da sua localidade para escolha dos equipamentos mais recomendados para aplicação dos produtos desinfetantes. Não utilizar veículos que são usados para outros fins, como por exemplo, os de distribuição de água e outros.

Equipamento de proteção individual (EPI) e higiene das mãos:

A equipe de desinfecção, nestes casos, deve usar luvas, máscaras, aventais, entre outros EPIs, durante todo o procedimento de desinfecção.

Os EPIs devem ser compatíveis com os produtos desinfetantes em uso. EPIs adicionais podem ser necessários com base nos produtos desinfetantes usados devido ao risco de respingos. Os EPIs devem ser removidos com cuidado para evitar a contaminação do usuário e da área circundante. As luvas devem ser removidas após a desinfecção.

A equipe de desinfecção deve relatar imediatamente violações no EPI (por exemplo, rasgo nas luvas) ou qualquer exposição potencial ao supervisor dos trabalhos. 

A equipe de desinfecção deve limpar as mãos com frequência com água e sabonete ou álcool gel 70%, inclusive imediatamente após remover as luvas.

Considerações adicionais para os empregadores:

Os empregadores devem trabalhar com seus departamentos de saúde locais e estaduais para garantir que os protocolos e diretrizes apropriados, como orientações atualizadas/adicionais para desinfecção, sejam seguidos.

Antes de realizar os procedimentos, os empregadores devem desenvolver políticas para
proteção dos trabalhadores e fornecer treinamento a toda a equipe de desinfecção no local antes
de realizar os procedimentos. O treinamento deve incluir quais EPIs são necessários, bem como a
maneira de vestir, utilizar, retirar e descartar corretamente os mesmos.

Os empregadores devem garantir também que os trabalhadores sejam treinados sobre os riscos dos produtos químicos utilizados.

3. Conclusão

As medidas recomendadas na presente Nota Técnica voltadas ao combate da COVID-19, por meio da desinfecção de áreas públicas nas cidades visa, principalmente, a prevenção dos riscos à saúde humana, especialmente no que se refere aos trabalhadores envolvidos no procedimento e da população em geral provavelmente exposta. Também busca promover as orientações gerais sobre os procedimentos, equipamentos de aplicação e produtos eficazes contra o novo coronavírus.

Quanto ao uso de sistemas de desinfecção por meio de um túnel onde são pulverizados produtos desinfetantes diretamente sobre às pessoas, não existe nenhuma comprovação científica de que esta medida seja efetiva contra a pandemia de coronavírus. Estas recomendações poderão ser atualizadas à medida em que informações adicionais estejam disponíveis.”

]Observação: Dados da Nota Técnica 34/2020, com pequenas alterações.

Em outras oportunidades discorreremos sobre a Nota Técnica Nº 38/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA que também trata do terma abordado.


PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO

Brasil

 

Patos de Minas

Patos de Minas, até o dia 10.07.2020 (15:14’) contava com 720 casos positivos de coronavírus, e no dia 03.07.2020 – 14:15’, o total de casos era de 541, um acréscimo de 33,09% em uma semana. No dia 10.07.2020 haviam 47 pacientes internados, 369 em recuperação domiciliar, 289 casos tratados e/ou recuperados, 07 óbitos confirmados e 08 em investigação.

Obs.: Dos 47 casos internados, 14 estavam em leito de UTI e 33 permaneciam estáveis em leitos clínicos / enfermarias. 

Internações em hospitais públicos e privados

Obs.: Média de idade dos casos confirmados – 41 anos.

A ocupação de leitos de UTI adultos em todos os hospitais da rede pública e privada está em 117,65%, sendo que o único hospital que está atendendo covid-19 na rede pública (HRAD) está com 70% dos seus leitos de UTI ocupados (vide tabela abaixo e gráfico na próxima folha). A capacidade de oferta da rede pública está mais tranquila em relação às duas semanas anteriores, onde a lotação estava em 100%, mas o cenário ainda é de preocupação, pois tais leitos são compartilhados com o município de Patos de Minas e municípios vizinhos. Nossa curva de casos positivos é ascendente e vem aumentando exponencialmente, o que gera pressão na assistência para que o suporte ao paciente seja adequado ao tratamento da infecção por COVID-19.

Elaborado por: Erivaldo Rodrigues Soares – Matr. 6143 – Enc. de Informações e Estatísticas

Patos de Minas, 10 de julho de 2020.

Dados sujeitos a alterações.