COMPLEMENTAÇÃO DA NOTA TÉCNICA 34/2020

No Boletim nº 13, de 10.07.2020 foram abordadas recomendações e alertas sobre procedimentos de desinfecção em locais públicos realizados durante a pandemia da covid-19. Dando continuidade ao tema será abordada a Nota Técnica nº 38/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA que trata da desinfecção de pessoas em ambientes públicos e hospitais durante a pandemia de Covid 19.

As orientações constantes na Nota Técnica nº 38, foram elaboradas com base nas demandas encaminhadas por municípios, associações, órgãos de vigilância sanitária locais, empresas e usuários em geral, e são destinadas ao esclarecimento da população sobre o emprego dessa prática no combate ao SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.

Quando da aprovação de produtos saneantes desinfetantes, a Anvisa avalia sua aplicação em objetos
e superfícies e não sua aplicação direta em pessoas. Portanto, não foram avaliadas a segurança e eficácia
desses produtos para uso direto em pessoas. Assim sendo, não existe, atualmente, produto aprovado pela
Anvisa para “desinfecção de pessoas”. 

Também não foram encontradas, por parte órgãos internacionais, como a OMS – Organização Mundial da Saúde1, Agência de Medicamentos e Alimentos dos EUA (FDA)2 ou o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC)3 sobre a desinfecção de pessoas no combate à COVID-19 na modalidade de túneis ou câmaras. Da mesma forma, não existe recomendação da Agência Europeia de Substâncias e Misturas Químicas
(ECHA)4 para tal procedimento. 

Segundo a Nota Técnica nº 38, “não foram encontradas evidências científicas, até o momento, de que o uso dessas estruturas para desinfecção sejam eficazes no combate ao SARSCoV-2, além de ser uma prática que pode produzir importantes efeitos adversos à saúde, como será discutido a seguir. Ademais, tecnicamente, a duração do procedimento, entre 20 e 30 segundos, não seria suficiente para garantir o processo de desinfecção. Vale reforçar que esse procedimento não inativa o vírus dentro do corpo humano.

De forma geral, os produtos químicos supostamente utilizados nessas estruturas já foram aprovados pela Anvisa e são eficazes para desinfecção exclusiva de superfícies, com exceção do ozônio.

Quanto à finalidade da utilização dessas estruturas para desinfecção, não encontramos fundamentação científica que a sustente. De acordo com a publicidade veiculada no Brasil, tal estrutura supostamente colabora para que as “pessoas fiquem protegidas de contaminação e proliferação do vírus mediante descontaminação do corpo e roupas”. 

Sabe-se que as pessoas infectadas com SARS-CoV-2 carregam o vírus principalmente nas vias respiratórias e que este é transmitido principalmente de pessoa a pessoa por:

i) goticulas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e;

ii) contato com superficies ou objetos contaminados.

Tem-se que a aplicação de desinfetante no corpo e roupa de pessoas não vai atingir (nem deve) as vias respiratórias. 

Por isso, a recomendação de medidas de higiene pessoal e etiqueta respiratória devem prevalecer para evitar a disseminação do vírus. Além disso, lavar as roupas depois de usadas é suficiente nestes casos”.

De acordo com a Nota Técnica nº 26/20205, “existem diversos efeitos adversos à saúde relacionados aos produtos que estão sendo utilizados nessa modalidade de desinfecção de pessoas. Alguns desses efeitos são causados exatamente pelas próprias características do produto. A exposição repetida pode induzir reações alérgicas que, em alguns casos, podem ser severas.

Para além, a pele é importante barreira do corpo humano que impede a penetração de alguns patógenos e substâncias químicas. A exposição dela a produtos químicos produzidos para outra finalidade, gera fragilidade que podem resultar em rachaduras e lesões, favorecendo a penetração de microrganismos no corpo. 

Alguns dos efeitos adversos à saúde dos produtos químicos utilizados são os que seguem:

Hipoclorito de sódio: é um produto corrosivo, podendo causas lesões severas dérmicas e oculares, além de causas irritações nas vias respiratórias. Não deve ser misturado com outros produtos, pois reage violentamente com muitas substâncias químicas e pode potencializar os efeitos adversos de tais substâncias ou dele mesmo.

Peróxido de hidrogênio: a inalação aguda pode causar irritação no nariz, garganta e trato respiratório. Em altas concentrações do produto, pode ocorrer bronquite ou edema pulmonar.

Quaternários de amônio: pode causar irritação de pele e das vias respiratórias e sensibilização dérmica, mas não é corrosivo. As pessoas que se expõem constantemente aos produtos podem desenvolver reações alérgicas.

Ozônio: a exposição leve a moderada ao gás ozônio produz sintomas do trato respiratório superior e irritação ocular (por exemplo, lacrimação, queimação dos olhos e garganta, tosse improdutiva, dor de cabeça, dor subesternal, irritação brônquica, gosto e cheiro acre). Exposições mais importantes, como as observadas em ambientes industriais, podem causar desconforto respiratório significativo com dispneia, cianose, edema pulmonar e hipotensão, podendo levar a óbito. O ozônio pode exacerbar o comprometimento das pequenas vias aéreas de adultos fumantes. O ozônio é um gás comburente que pode acelerar fortemente a ignição e aumentar os riscos de incêndio.

Por fim, conforme as disposições da legislação em vigor, os produtos saneantes
desinfetantes devem ser aplicados em superfícies fixas e inanimadas, ou seja, bancadas, pisos,
paredes, objetos etc., mas nunca diretamente nos seres humanos.

 

DESCONTAMINAÇÃO DA VESTIMENTA DE BIOSSEGURANÇA EM SERVIÇOS DE SAÚDE

De acordo com a Nota Técnica 38, “à semelhança do que ocorre na entrada e saída de laboratórios de alto nível de biossegurança, alguns hospitais estão adotando a prática de borrifação de substâncias químicas para desinfecção dos trabalhadores da saúde ao término da jornada de trabalho. Neste procedimento, visa-se a descontaminação da paramentação contaminada após o atendimento dos pacientes com Covid-19. 

Entretanto, existem diferenças significativas entre ambos os procedimentos. A descontaminação ou remoção física de contaminantes do equipamento de proteção individual após a saída de laboratórios de alta contenção é crucial para garantir a contenção de contaminantes e a segurança dos trabalhadores do laboratório. A metodologia atual para sair do laboratório de alto nível de contenção 4 (CL-4) exige que o pessoal do laboratório descontamine suas roupas de pressão positiva por meio de “lavagem mecânica” durante uma ducha de produtos químicos e água por 5 minutos.6,7,8.

Entretanto, a borrifação de produtos químicos na saída do serviço de saúde não envolveria fricção mecânica utilizada nos laboratórios de alto nível de contenção. Nem poderia, pois o traje utilizado nos hospitais é bem mais leve que os utilizados nos laboratórios, o que não permitiria a fricçãomecânica. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS)8 enfatiza que, nos laboratórios de elevada contenção, é necessário instalar um chuveiro de descontaminação para uso obrigatório do pessoal que sai da zona de confinamento. À entrada e à saída dos vestiários, existem igualmente chuveiros para o pessoal. O profissional que vai trabalhar nessa área tem de se equipar com roupa hermética, pressurizada, com filtro HEPA e dispositivo de respiração. A entrada ao laboratório é feita através de uma câmara de vácuo com portas herméticas.

Ao contrário das roupas utilizadas nos laboratórios de alto nível de contenção, a paramentação utilizada normalmente pelos profissionais de saúde não é hermética, o material utilizado é leve, não resistente a líquidos, possibilitando o contato do produto químico com a pele e, em algumas ocasiões, com os olhos, elevando o risco de reações adversas. Caso a roupa e equipamentos de proteção individual (EPIs) possam efetivamente evitar o contato do produto químico com a pele e mucosas do profissional e exista compatibilidade da substância química com os materiais usados na paramentação, as estruturas para desinfecção poderiam ser utilizadas.

Porém, essa prática não deverá substituir a recomendação de que após o uso dos EPIs, estes devem ser retirados cuidadosamente, mediante protocolo definido e amplamente divulgado para os profissionais, para posteriormente, fazer a adequada higienização pessoal (banho) e troca de roupas.

Alerta-se ainda, que, no caso hipotético de ser realizado o procedimento de desinfecção de pessoas, poderia ser induzido o relaxamento das medidas recomendadas de higienização pessoal e de desinfecção de superfícies, e assim, abrir espaço à transmissão do vírus.

Destaca-se, finalmente, que a pulverização indiscriminada e repetida de desinfetantes em pessoas, pode causar, além de incremento dos efeitos adversos à saúde, poluição ambiental e aumento da tolerância de microrganismos aos produtos químicos, pelo que esse procedimento deve ser evitado”.

Com base na revisão realizada, a Nota Técnica 38 conclui que:

– “Para uso geral:

I) não foram encontradas evidências científicas de que o uso dessas estruturas para desinfecção sejam eficazes no combate ao SARS-CoV-2, podendo, diante de novos estudos, ser modificado este posicionamento, a qualquer momento; 

II) a Anvisa somente recomenda a utilização de saneantes sobre superficies inanimadas, de modo que a borrifação sobre seres humanos dá uso diverso a aquele que foi originalmente aprovado; e

III) a borrifação de saneantes sobre seres humanos tem potencial para causar lesões dérmicas, respiratórias, oculares e alérgicas, podendo o responsável da ação responder penal, civil e administrativamente.

– Para uso em serviços de saúde:

I) é possível o uso de saneantes, desde que tenha a eficácia testada e que os profissionais de saúde utilizem equipamentos de segurança individuais (máscaras, capotes ou capas, botas, entre outros) que impeçam o contato do produto químico desinfetante com a pele, olhos e mucosas.

Por fim, registra-se que esta Agência está atenta às inovações implementadas pelo mercado, de modo que tais recomendações poderão ser atualizadas à medida em que novas informações e evidências sejam divulgadas”. 

Observação: Dados da Nota Técnica 38/2020, com pequenas alterações.

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS CONFIRMADOS DE COVID-19 NO ESTADO DE MINAS GERAIS, CASOS QUE NÃO EVOLUÍRAM PARA ÓBITO

Patos de Minas, até o dia 17.07.2020 (12:54’) contava com 909 casos positivos de coronavírus, e no dia 10.07.2020 – 15:45’, o total de casos era de 720, um acréscimo de 26,25% em uma semana. No dia 17.07.2020 haviam 37 pacientes internados, 339 em recuperação domiciliar, 512 casos tratados e/ou recuperados, 09 óbitos confirmados e 12 em investigação

Obs.: Dos 37 casos internados, 16 estavam em leito de UTI e 21 permaneciam estáveis em leitos clínicos/enfermarias. 

Internações em hospitais públicos e privados

 

Obs.: Dados até 17.07.2020, às 13:01’, sujeitos a alterações.

Obs.: Média de idade dos casos confirmados – 41 anos.

A ocupação de leitos de UTI adultos em todos os hospitais da rede pública e privada está em 111,76%, sendo que o único hospital que está atendendo covid-19 na rede pública (HRAD) está com 80% dos seus leitos de UTI ocupados. A capacidade de oferta da rede pública está mais tranquila em relação às duas semanas anteriores, onde a lotação estava em 100%, mas o cenário ainda é de preocupação, pois tais leitos são compartilhados com o município de Patos de Minas e municípios vizinhos. Nossa curva de casos positivos é ascendente e vem aumentando exponencialmente, o que gera pressão na assistência
para que o suporte ao paciente seja adequado ao tratamento da infecção por COVID-19.

 

 

Elaborado por: Erivaldo Rodrigues Soares – Matr. 6143 – Enc. de Informações e Estatísticas

Patos de Minas, 17 de julho de 2020.

Dados sujeitos a alterações.